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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Primeiros- socorros

Tem alguém escrevendo a história da minha vida. Tem que ter . Eu não posso aceitar que as coisas aconteçam assim, simplesmente por acontecer.Tem que ter uma razão de ser.
Se eu tropecei e bati com o joelho na quina dessa mesa de centro, alguém desenhou ela aqui agora . Não existia antes. Nunca teve mesa de centro na sala da minha casa. Tenho certeza . Tem alguém digitando cada passo meu, cada arroto , cada soluço . Eu não  posso aceitar que as pessoas folheiem assim, simplesmente por  acaso . Tem que ter um porquê. Ei, você pode me responder?
Pára de traçar meu destino ai por 5 minutos e me dá atenção. Olha, já  que vai escrever mesmo, põe algo legal ai: um girassol na janela, um cãozinho bege ao lado da cama, um telefonema fora de hora, uma frase, sim uma frase tardia, Aproveita e dá uma caprichada nas ruas por onde eu passo, nos cenários da minha história e nas pessoas que acenam para mim!!! Estou cansado de tropeçar e cair!!!
Eu não sei dançar como pede a musica!!!É sempre a mesma cara de banana, sempre o mesmo tombo, o mesmo galo na cabeça amarela!!!Olha só,  cai de novo, mais uma vez e mais uma!!! Tem alguém escrevendo essa porra dessa história dessa minha vida.
Tem que ter, Eu não posso aceitar que o acaso tenha te colocado bem aqui no meio da minha sala, bem assim por brincadeira, bem na frente  daquela casca de banana, bem diante da minha próxima queda. Mais um tombo, mais um galo amarelo, tropeço previsto, vulnerável condição. Se tem alguém escrevendo a comédia de erros dessa vida, favor inserir um kit de primeiros-socorros nas ruas por onde eu passo, nos cenários da minha vida e, principalmente às pessoas que acenam para mim.

e ponto final!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Alegorias dos Porquês.

O tempo batia asas. No mundo dela era sempre noite. Mesmo de manhã, o céu permanecia no mais completo breu. Cansado daquela mesmice, passou a questionar os porquês  da sua existência e da origem do mundo no qual vivia .
Procurava a lógica dos fatos e se perdia em suas próprias explicações.Uma idéia fixa martelava em sua cabeça: precisava sair dali e descobrir se tudo era sempre daquele 
jeito ou se lá longe, bem distante, havia uma outra realidade. E pôs-se a caminhar. Todo chão era pouco perto do desejo que a movia. E então chegou numa das portas do  mundo : tudo continuava a ser sempre daquele jeito  e lá longe, bem distante, não havia nenhuma outra realidade. Deu a volta e seguiu obstinada. Quando  mais andava mais sentia o tamanhão do mundo. De seus pés brotavam calos. O corpo padecia, descascava, transmutava. E os porquês se tornavam cada vez audíveis reverberando nos quartos de seu coração. E no que cruzou o sul, o norte, o leste e o oeste do mundo: tudo continuava a ser sempre daquele jeito e lá longe, bem distante, não havia nenhuma outra realidade. Quando mais andava mais sentia o tamanhinho do mundo. Não havia mais pra onde ir e seu corpo também não suportava mais acompanhar o ritmo frenético dos porquês de sua cabeça. A massa corpórea dele padecia e, pipocava, inchava. Achou que fosse morrer naquele instante e quando olhou de volta para si foi que percebeu a transformação. O corpo dela havia crescido tanto que já não cabia mais em seu mundo. Com toda aquela pressão, o céu foi se rasgando  vagarosamente até revelar a luz. Em seu novo mundo era sempre dia. Mesmo de noite, as estrelas garantiam uma luminosidade que ela jamais poderia prever enquanto lagarta andante dentro da caixa de sapato. Agora era diferente. Ela batia asas.   

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mudanças

Mudanças são inevitáveis conseqüências.
Existe um fluxo invisível que não nos permite seguir sempre o mesmo caminho. 
Nada permanece intacto.
Nem as nossas convicções, as nossas idéias, por mais que queiramos que permaneçam. 
Por mais que o passado pareça reconfortar, a vida não se resume somente a isso.
É por isso que existe o Sol.
Você acordará de manhã, e ele estará lá, pra te lembrar de que não há nada insuperável.
Os dias prosseguem. 
E como já dizia Nietzsche, aquilo que não me destrói, fortalece-me. 
Tudo é aprendizado, basta você querer enxergar isso.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Velho Jardim.

Em uma pequena cidade sem nome e bem longe daqui, havia um velho jardim,  velho e não tão pequeno e nem tão grande jardim mas cheio de flores de todos os tipos e de diversas formas e cores, um jardim muito bonito por sinal onde apenas um Velho jardineiro era responsável por ele, apenas um jardineiro cuidava para que as flores não morressem regando-as, adubando e cuidando da terra em que estavam.
Este jardineiro não tinha tanta experiência com flores e nem era lá tão inteligente mas ele tinha algo muito diferente de todos os jardineiros daquela cidade ele amava as flores como se amam pessoas, enquanto alguns jardineiros se preocupavam em estudar e em saber tudo sobre flores, este jardineiro que vos falo não; ele apenas as amava e as respeitava.
Certo Dia este amável jardineiro teve que partir, e demoraria um tanto para voltar...pois bem antes de partir ele escolheu um jardineiro para ocupar seu lugar enquanto estaria fora, ele escolheu o mais jovem dos jardineiro afim que ele aprendesse a amar as flores como ele, e quando ele estava partindo ele deixou uma mensagem para o novo jardineiro, ela dizia assim:

"  Meu Jovem, eu já estou muito velho e estou partindo para outro jardim e vos deixo este jardim no qual passei a vida inteira me dedicando e cuidando para que não morre-se, eu vos falo que minha vida e todo meu amor está aqui contigo neste jardim e assim está é a essência  e  eu peço que ame e que esteja disposto a amar e a cuidar destas flores como se fossem a sua própria vida! 

Eu sei que este jardim está em boas mãos, lembre-se: "Não tenhas vergonha de assumir erros e voltar atrás, há sempre mais uma chance."

                                                                                        Ass: O Velho Jardineiro  

Após a partida do velho Jardineiro começa então o Jovem a cuidar das flores, ele ainda estava um tanto confuso pois seu antecessor não deixara nada, nenhuma dica e nenhuma instrução de como cuidar daquelas plantas a não ser ama-las coisa que ele ainda não entendia, e respeitar, como assim respeitar flores, assim ele se perguntava, pois ele não fazia distinção entre lírios e rosas, entre margaridas e tulipas, para ele flor era flor e nada mais.
 Assim ele ia levando seus dias naquele jardim, ainda há tanta historia pra contar, e tantas coisas que este jovem jardineiro irá viver naquele jardim, A HISTÓRIA NÃO TERMINA AQUI, Alias aqui ela começa, na esperança que muitas flores ainda nasceram neste jardim.







sábado, 27 de novembro de 2010

-Era uma vez uma ilusão...

Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi



Meu coração desde então O diário chora 
Não Portão
Por  ela não saber o que fazer ,ela se foi 
Porque vamos Por que deixá-lo?
Eu não seiSó sei que eu era


Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria

Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz

É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver



Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Viver-la feliz

Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque no me dejo
Tratar de ser la feliz

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

-Da um nome e some

A guerra entre a tinta e o papel se fez num desenho no ar e incolor 

Procurando no infinito como se a realidade fosse um alfinete na escuridão 

Até que pudesse ver um ponto ou uma ponte que me levasse lá onde eu saberia

Ou que eu conhecia só por nome me ansiava e me destruía sem mesmo existir 
No momento esperado agora nunca chegava, nem mesmo surgia em outra esquina 
E foi com um pincel que descobri um sonho minha maior realidade
Algumas curvas e cores que foi se surgindo um mundo onde tudo era um raro nobre 
Um espaço no momento talvez, ou para a vida inteira, quem ousaria dizer 
Se construindo num leve rabiscar apagando o que lá tinha de lombadas e sinais fechados 
De modo que fiz do papel meu alimento, minhas tintas o meu suco e licor 
Compreendo até que ponto da ponte eu teria que parar e me jogar
E até antes de cair descobriria porque Deus não nos deu asas e tirou nossos pés 
O sol foi se abrindo junto de um sorriso fabricado e doado as pessoas 
Vendido e vencido como um jornal de ontem de tanto justificar a falta de tempo 
Pensa que estou descomposto? Meu tempo é de hoje, de agora imprimido 
Minha caminhada tem direção, mas nunca preciso usar setas nem buzina 
O que vale mais que um sorriso hoje é vendido em todas as esquinas.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

São duas linhas



Uma menor, mais fina, mais ágil. 
A outra embora mais velha e mais espessa, não tem tanta habilidade ou experiência 
Elas vivem na mesma caixa de costura. 
Uma delas tem o sonho de ser a linha que junto com os fios de ouro vestirão a princesa.
 A outra aceita ser passada por qualquer peça de roupa, contanto que seja útil.
São duas linhas
 Uma mais bonita 
Outra menos 
Na verdade as duas são lindas linhas, mas uma delas não sabe que é 
Quando encontra a outra linha fica se criticando e dizendo que deveria ser melhor
 - Melhor pra quem? 
Pensa ela mesma. 
Sei la, talvez para aquele carretelzinho pequeno. 
Todos gostam dele, todos o querem. 
Estas duas linhas já fizeram muitas costuras juntas. 
Já costuraram casacos, blusas, calças, cachecóis, meias.. 
Já enfeitaram bordados e lindos broches 
Elas até já passaram noites e noites acordadas na gandaia 
São duas linhas 
E uma delas está chegando ao seu final 
Não caminhou ao encontro do arco-iris 
Não costurou as roupas do rei 
Não fez grandes feitos 
Mas decidiu parar de se costurar 
Ela vivia passando por pessoas que nem conhecia e que nem tinham a ver com ela 
Decidiu se aposentar da vida de linha 
A outra linha, mais nova 
Continua na espera dos fios de ouro 
Traça planos, metas e crê que em breve será a linha mais conhecida da caixa de costura. 
Enquanto isto, a linha mais velha, mais espessa, menos experiente, serve de base para aquela pipa, que voa, voa, voa..

Simplicidade


 Ele escreveria um soneto alexandrino. Contaria a métrica, intercalaria as rimas, usaria cesura, aliteração, sinestesia e todos os recursos literários que lhe fossem permitidos. Depois de compor o poema, botaria melodia; uma bossa, talvez... Violão nylon, violino, piano de cauda, baixo acústico, saxofone, um solo de flauta depois do refrão, beebop e vocalize no final... Dividiria as vozes... Ah! Seria perfeito! Contrataria uma banda de músicos profissionais para acompanhá-lo e tocaria pra ela... Mas pra quê, se ele pode telefonar e dizer tudo em três palavras?